| Uma arte Elizabeth Bishop Tradução de Horácio Costa A arte de perder não tarda aprender; tantas coisas parecem feitas com o molde da perda que o perdê-las não traz desastre. Perca algo a cada dia. Aceita o susto de perder chaves, e a hora passada embalde. A arte de perder não tarda aprender. Pratica perder mais rápido mil coisas mais: lugares, nomes, onde pensaste de férias ir. Nenhuma perda trará desastre. Perdi o relógio de minha mãe. A última, ou a penúltima, de minhas casas queridas foi-se. Não tarda aprender, a arte de perder. Perdi duas cidades, eram deliciosas. E, pior, alguns reinos que tive, dois rios, um continente. Sinto sua falta, nenhum desastre. - Mesmo perder-te a ti (a voz que ria, um ente amado), mentir não posso. É evidente: a arte de perder muito não tarda aprender, embora a perda - escreva tudo! - lembre desastre. |
sexta-feira, 8 de julho de 2011
A POESIA DE ELIZABETH BISHOP
segunda-feira, 4 de julho de 2011
quarta-feira, 29 de junho de 2011
1a Carta de Paulo aos Coríntios--cap.13(1-13)
Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o címbalo que retine.
E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria.
E ainda que distribuísse todos os meus bens para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria.
O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não se vangloria, não se ensoberbece, não se porta inconvenientemente, não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não suspeita mal; não se regozija com a injustiça, mas se regozija com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.
O amor jamais acaba; mas havendo profecias, serão aniquiladas; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, desaparecerá; porque, em parte conhecemos, e em parte profetizamos; mas, quando vier o que é perfeito, então o que é em parte será aniquilado.
Quando eu era menino, pensava como menino; mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino. Porque agora vemos como por espelho, em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei plenamente, como também sou plenamente conhecido.
Agora, pois, permanecem a fé, a esperança, o amor, estes três; mas o maior destes é o amor.
DAS UTOPIAS
DAS UTOPIAS
Se as coisas são inatingíveis... ora!
Não é motivo para não querê-las...
Que tristes os caminhos, se não fora
A presença distante das estrelas!
Mário Quintana
Se as coisas são inatingíveis... ora!
Não é motivo para não querê-las...
Que tristes os caminhos, se não fora
A presença distante das estrelas!
terça-feira, 28 de junho de 2011
O QUE SERÁ,QUE SERÁ?
Chico Buarque
O que será, que será?
Que andam suspirando pelas alcovas
Que andam sussurrando em versos e trovas
Que andam combinando no breu das tocas
Que anda nas cabeças anda nas bocas
Que andam acendendo velas nos becos
Que estão falando alto pelos botecos
E gritam nos mercados que com certeza
Está na natureza
Será, que será?
O que não certeza nem nunca terá
O que não tem conserto nem nunca terá
O que não tem tamanho…
O que será, que será?
Que vive nas idéias desses amantes
Que cantam os poetas mais delirantes
Que juram os profetas embriagados
Que está na romaria dos mutilados
Que está na fantasia dos infelizes
Que está no dia a dia das meretrizes
No plano dos bandidos dos desvalidos
Em todos os sentidos…
Será, que será?
O que não tem decência nem nunca terá
O que não tem censura nem nunca terá
O que não faz sentido…
O que será, que será?
Que todos os avisos não vão evitar
Por que todos os risos vão desafiar
Por que todos os sinos irão repicar
Por que todos os hinos irão consagrar
E todos os meninos vão desembestar
E todos os destinos irão se encontrar
E mesmo o Padre Eterno que nunca foi lá
Olhando aquele inferno vai abençoar
O que não tem governo nem nunca terá
O que não tem vergonha nem nunca terá
O que não tem juízo…(2x)
Lá lá lá lá lá……..
O que será, que será?
Que andam suspirando pelas alcovas
Que andam sussurrando em versos e trovas
Que andam combinando no breu das tocas
Que anda nas cabeças anda nas bocas
Que andam acendendo velas nos becos
Que estão falando alto pelos botecos
E gritam nos mercados que com certeza
Está na natureza
Será, que será?
O que não certeza nem nunca terá
O que não tem conserto nem nunca terá
O que não tem tamanho…
O que será, que será?
Que vive nas idéias desses amantes
Que cantam os poetas mais delirantes
Que juram os profetas embriagados
Que está na romaria dos mutilados
Que está na fantasia dos infelizes
Que está no dia a dia das meretrizes
No plano dos bandidos dos desvalidos
Em todos os sentidos…
Será, que será?
O que não tem decência nem nunca terá
O que não tem censura nem nunca terá
O que não faz sentido…
O que será, que será?
Que todos os avisos não vão evitar
Por que todos os risos vão desafiar
Por que todos os sinos irão repicar
Por que todos os hinos irão consagrar
E todos os meninos vão desembestar
E todos os destinos irão se encontrar
E mesmo o Padre Eterno que nunca foi lá
Olhando aquele inferno vai abençoar
O que não tem governo nem nunca terá
O que não tem vergonha nem nunca terá
O que não tem juízo…(2x)
Lá lá lá lá lá……..
PARA REFLETIR
TENTAR MUDAR O OUTRO
Maria Helena Matarazzo
Parece fácil amar outra pessoa.
Porém, a convivência diária traz aborrecimentos
e os gestos românticos se escasseiam.
Uma conversa franca pode complicar em vez de resolver.
Não tente encaixar o outro na forma que você idealizou. Apenas o aceite.
No mundo de esperanças, medos, prazeres e lágrimas.
O que mantém o vínculo são dezenas de fios invisíveis (segredos compartilhados, promessas cumpridas)que ligam uma pessoa à outra através dos anos.
Um mundo feito de corações que se escutam, racham, quebram e voltam a se colar.
No começo parece tão fácil amar outra pessoa.
E o sexo... Bem, o sexo é divino.
Os olhares, sorrisos e gestos falam mais do que as palavras.
É tão bom descobrir de quantas formas diferentes somos capazes de compartilhar,
de nos fundir com a pessoa que amamos...
Acontece que junto com as afinidades vêm
as hostilidades geradas pelo conflito de querer amar e de se sentir obrigado a amar.
A familiaridade com o companheiro traz à tona suas imperfeições.
Pequenos aborrecimentos se agigantam e mesmo os gestos românticos vão se escasseando.
Pouco a pouco, a realidade toma o lugar das imagens idealizadas.
Brigas acontecem, mas, naturalmente, a culpa é sempre do outro.
"Ele já não é o mesmo de antes; portanto,
é o responsável pelos problemas que estamos enfrentando."
É sempre mais fácil encontrar uma causa externa em vez de olharmos para nós mesmos.
"Eu gosto de ½ de você. O que faço com o resto ?."
De alguns anos para cá, muitos casais valorizam o diálogo como forma de resolver esse problema. Revistas, cursos e terapeutas
passaram a dizer que o importante é pedir o que se deseja.
"Tenha uma conversa franca e sincera com seu parceiro, exponha o que você realmente quer e assim tudo vai se resolver."
Embora uma boa conversa seja um ponto de partida razoável, não é suficiente.
Nós fomos levados a acreditar que a mudança,
até mesmo uma transformação radical na relação, era algo totalmente possível:
se o outro realmente amasse, ele faria esforços sobre-humanos para caber na forma que você idealizou.
Mas na prática não é bem assim.
Foi ensinado às pessoas que a negociação é essencial em um bom relacionamento.
É possível negociar tarefas e alguns comportamentos específicos, mas não a personalidade do outro.
É impossível modelá-lo, transformá-lo.
No livro Maridos e Mulheres, Melvyn Kinder e Connell Cowan explicam que uma pessoa pode querer mudar, mas de algum modo achar isso
dolorosamente difícil. Muitos dos traços da nossa personalidade foram desenvolvidos como meios de nos proteger de danos psicológicos.
Hoje podemos não precisar desses mecanismos de defesa, mas eles persistem.
Por mais que queiramos modificá-los, inconscientemente ainda sentimos que precisamos deles.
Estes traços que incomodam ou enfurecem são,
para a outra pessoa, formas de enfrentar a vida e de sobreviver.
Ninguém quer contrariar seu parceiro, todos nós tentamos agradar, só que nem sempre conseguimos. E acabamos fazendo coisas que machucam.
Temos de aceitar tanto os defeitos como as qualidades do outro.
Amor é aceitação. Nem sempre falar francamente fortalece o relacionamento.
A afirmação parece contrária a tudo dque se disse nos últimos tempos, mas a experiência provou que às vezes "é melhor calar. E agir."
É ingênuo imaginar que basta expressar claramente os sentimentos para que o parceiro nos compreenda. Quando duas pessoas resolvem falar tudo o que pensam e sentem, podem ficar mais informadas, mas também podem acabar mais machucadas e ressentidas.
Certas coisas não devem nem precisam ser ditas, por mais verdadeiras que sejam, pois não ajudam em nada e costumam provocar devastação emocional.
A superação das decepções devido ao fato de o outro não ser como tínhamos sonhado é uma dura tarefa.
Mas se descobre lentamente, muito lentamente,
que se pode amar alguém apesar de suas falhas.
Por outro lado, precisamos lembrar que
é impossível mudar o outro mas não a nós mesmos, pois todos estamos constantemente nos modelando.
A vida é, afinal, uma procura dos segredos do crescimento e ninguém os conhece plenamente.
Autora: Maria Helena Matarazzo
Texto extraído do livro: Encontros, Desencontros & Reencontros
Editora Objetiva
Maria Helena Matarazzo
Parece fácil amar outra pessoa.
Porém, a convivência diária traz aborrecimentos
e os gestos românticos se escasseiam.
Uma conversa franca pode complicar em vez de resolver.
Não tente encaixar o outro na forma que você idealizou. Apenas o aceite.
No mundo de esperanças, medos, prazeres e lágrimas.
O que mantém o vínculo são dezenas de fios invisíveis (segredos compartilhados, promessas cumpridas)que ligam uma pessoa à outra através dos anos.
Um mundo feito de corações que se escutam, racham, quebram e voltam a se colar.
No começo parece tão fácil amar outra pessoa.
E o sexo... Bem, o sexo é divino.
Os olhares, sorrisos e gestos falam mais do que as palavras.
É tão bom descobrir de quantas formas diferentes somos capazes de compartilhar,
de nos fundir com a pessoa que amamos...
Acontece que junto com as afinidades vêm
as hostilidades geradas pelo conflito de querer amar e de se sentir obrigado a amar.
A familiaridade com o companheiro traz à tona suas imperfeições.
Pequenos aborrecimentos se agigantam e mesmo os gestos românticos vão se escasseando.
Pouco a pouco, a realidade toma o lugar das imagens idealizadas.
Brigas acontecem, mas, naturalmente, a culpa é sempre do outro.
"Ele já não é o mesmo de antes; portanto,
é o responsável pelos problemas que estamos enfrentando."
É sempre mais fácil encontrar uma causa externa em vez de olharmos para nós mesmos.
"Eu gosto de ½ de você. O que faço com o resto ?."
De alguns anos para cá, muitos casais valorizam o diálogo como forma de resolver esse problema. Revistas, cursos e terapeutas
passaram a dizer que o importante é pedir o que se deseja.
"Tenha uma conversa franca e sincera com seu parceiro, exponha o que você realmente quer e assim tudo vai se resolver."
Embora uma boa conversa seja um ponto de partida razoável, não é suficiente.
Nós fomos levados a acreditar que a mudança,
até mesmo uma transformação radical na relação, era algo totalmente possível:
se o outro realmente amasse, ele faria esforços sobre-humanos para caber na forma que você idealizou.
Mas na prática não é bem assim.
Foi ensinado às pessoas que a negociação é essencial em um bom relacionamento.
É possível negociar tarefas e alguns comportamentos específicos, mas não a personalidade do outro.
É impossível modelá-lo, transformá-lo.
No livro Maridos e Mulheres, Melvyn Kinder e Connell Cowan explicam que uma pessoa pode querer mudar, mas de algum modo achar isso
dolorosamente difícil. Muitos dos traços da nossa personalidade foram desenvolvidos como meios de nos proteger de danos psicológicos.
Hoje podemos não precisar desses mecanismos de defesa, mas eles persistem.
Por mais que queiramos modificá-los, inconscientemente ainda sentimos que precisamos deles.
Estes traços que incomodam ou enfurecem são,
para a outra pessoa, formas de enfrentar a vida e de sobreviver.
Ninguém quer contrariar seu parceiro, todos nós tentamos agradar, só que nem sempre conseguimos. E acabamos fazendo coisas que machucam.
Temos de aceitar tanto os defeitos como as qualidades do outro.
Amor é aceitação. Nem sempre falar francamente fortalece o relacionamento.
A afirmação parece contrária a tudo dque se disse nos últimos tempos, mas a experiência provou que às vezes "é melhor calar. E agir."
É ingênuo imaginar que basta expressar claramente os sentimentos para que o parceiro nos compreenda. Quando duas pessoas resolvem falar tudo o que pensam e sentem, podem ficar mais informadas, mas também podem acabar mais machucadas e ressentidas.
Certas coisas não devem nem precisam ser ditas, por mais verdadeiras que sejam, pois não ajudam em nada e costumam provocar devastação emocional.
A superação das decepções devido ao fato de o outro não ser como tínhamos sonhado é uma dura tarefa.
Mas se descobre lentamente, muito lentamente,
que se pode amar alguém apesar de suas falhas.
Por outro lado, precisamos lembrar que
é impossível mudar o outro mas não a nós mesmos, pois todos estamos constantemente nos modelando.
A vida é, afinal, uma procura dos segredos do crescimento e ninguém os conhece plenamente.
Autora: Maria Helena Matarazzo
Texto extraído do livro: Encontros, Desencontros & Reencontros
Editora Objetiva
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