Enquanto não superarmos
a ânsia do amor sem limites,
não podemos crescer
emocionalmente.
Enquanto não atravessarmos
a dor de nossa própria solidão,
continuaremos
a nos buscar em outras metades.
Para viver a dois, antes, é
necessário ser um.
Frase de Fernando Pessoa
quarta-feira, 18 de julho de 2012
domingo, 15 de julho de 2012
AOS MEUS AMIGOS (IDOSOS OU NÃO)
Prazeres da "melhor idade" ...
RUY CASTRO
A
voz em Congonhas anunciou: "Clientes com necessidades especiais,
crianças de colo, melhor idade, gestantes e portadores do cartão tal
terão preferência etc.". Num rápido exercício intelectual, concluí que,
não tendo necessidades especiais, nem sendo criança de colo, gestante ou
portador do dito cartão, só me restava a "melhor idade" - algo entre os
60 anos e a morte.
Para os que ainda não chegaram a ela, "melhor idade" é quando você
pensa duas vezes antes de se abaixar para pegar o lápis que deixou cair
e, se ninguém estiver olhando, chuta-o para debaixo da mesa. Ou, tendo
atravessado a rua fora da faixa, arrepende-se no meio do caminho porque o
sinal abriu e agora terá de correr para salvar a vida. Ou quando o
singelo ato de dar o laço no pé esquerdo do sapato equivale, segundo o
João Ubaldo Ribeiro, a uma modalidade olímpica.
Privilégios da "melhor idade" são o ressecamento da pele, a
osteoporose, as placas de gordura no coração, a pressão lembrando placar
de basquete americano, a falência dos neurônios, as baixas de visão e
audição, a falta de ar, a queda de cabelo, a tendência à obesidade e as
disfunções sexuais. Ou seja, nós, da "melhor idade", estamos com tudo, e
os demais podem ir lamber sabão.
Outra característica da "melhor idade" é a disponibilidade de seus
membros para tomar as montanhas de Rivotril, Lexotan e Frontal que seus
médicos lhes receitam e depois não conseguem retirar.Outro dia,
bem cedo, um jovem casal cruzou comigo no Leblon. Talvez vendo em mim um
pterodáctilo da clássica boemia carioca, o rapaz perguntou: "Voltando
da farra, Ruy?". Respondi, eufórico: "Que nada! Estou voltando da
farmácia!". E esta, de fato, é uma grande vantagem da "melhor idade":
você extrai prazer de qualquer lugar a que ainda consiga ir.
Primeiro, a aposentadoria é pouca e você tem que continuar a trabalhar para melhorar as coisas. Depois vem a condução.Você fica exposto no ponto do ônibus com o braço levantado esperando que algum motorista de ônibus te dê uns 60 anos.
Olha... a analise dele é rápida. Leva uns 20 metros e, quando pára, tem a discussão se você tem mais de 60 ou não.No outro dia entrei no ônibus e fui dizendo:- "Sou deficiente".O motorista me olhou de cima em baixo e perguntou:
- "Que deficiência você tem?"- "Sou broxa!"Ele deu uma gargalhada e eu entrei.Logo apareceu alguém para me indicar um remédio. Algumas mulheres curiosas ficaram me olhando e rindo...
Eu disse bem baixinho para uma delas:- "Uma mentirinha que me economizou R$ 3,00, não fica triste não"Bem... fui até a pedra do Arpoador ver o por do sol.Subi na pedra e pensei em cumprir a frase. Logicamente velho tem mais dificuldade. Querem saber?
Primeiro, tem sempre alguém que quer te ajudar a subir: "Dá a mão aqui, senhor!!!"Hum, dá a mão é o cacete, penso, mas o que sai é um risinho meio sem graça.Sentar na pedra e olhar a paisagem.
É, mas a pedra é dura e velho já perdeu a bunda e quando senta sente
os ossos em cima da pedra, o que me faz ter que trocar de posição a
toda hora.Para ver a paisagem não pode deixar de levar os óculos se não, nada vê.
Resolvo ficar de pé para economizar os ossos da bunda e logo passa um idiota e diz:- "O senhor está muito na beira pode ter uma tontura e cair."Resmungo entre dentes: ... "só se cair em cima da sua mãe"... mas, dou um risinho e digo que esta tudo bem.
Esta titica deste sol esta demorando a descer, então eu é que vou descer, meus pés já estão doendo e o sol nada.Vou pensando - enquanto desço e o sol não - "Volto de metrô é mais rápido..."Já
no metrô, me encaminho para a roleta dos idosos, e lá esta um puto de
um guarda que fez curso, sei eu em que faculdade, que tem um olho
crítico de consegue saber a idade de todo mundo.
Olha sério para mim, segura a roleta e diz:- "O senhor não tem 65 anos, tem que pagar a passagem."A
esta altura do campeonato eu já me sinto com 90, mas quando ele me
reconhece mais moço, me irrompe um fio de alegria e vou todo serelepe
comprar o ingresso.
Com os pés doendo fico em pé, já nem lembro do sol, se baixou ou não dane-se. Só quero chegar em casa e tirar os sapatos...Lá
estou eu mergulhado em meus profundos pensamentos, uma ligeira dor de
barriga se aconchega... Durante o trajeto não fui suficientemente rápido
para sentar nos lugares que esvaziavam...
Desisti... lá pelo centro da cidade, eu me segurando, dei de olhos
com uma menina de uns 25 anos que me encarava... Me senti o máximo. Me
aprumei todo, estufei o peito, fiz força no braço para o bíceps crescer e
a pelanca ficar mais rígida, fiquei uns 3 dias mais jovem.
Quando já contente, pelo menos com o flerte, ela ameaçou falar alguma coisa, meu coração palpitou.É agora...Joguei um olhar 32 (aquele olhar de Zé Bonitinho) ela pegou na minha mão e disse: "O senhor não quer sentar? Me parece tão cansado?"
Melhor Idade???
quinta-feira, 12 de julho de 2012
RECEBI POR E MAIL
"O TEMPO PASSOU E ME FORMEI EM SOLIDÃO"
Ninguém avisava nada, o costume era chegar de pára-quedas mesmo. E os donos da casa recebiam alegres a visita. Aos poucos, os moradores iam se apresentando, um por um.
Crônica escrita por José Antônio Oliveira de Resende
(Professor
de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras,
Artes e Cultura, da Universidade Federal de São João del-Rei. )
Sou
do tempo em que ainda se faziam visitas. Lembro-me de minha mãe
mandando a gente caprichar no banho porque a família toda iria visitar
algum conhecido. Íamos todos juntos, família grande, todo mundo a pé.
Geralmente, à noite.
Ninguém avisava nada, o costume era chegar de pára-quedas mesmo. E os donos da casa recebiam alegres a visita. Aos poucos, os moradores iam se apresentando, um por um.
– Olha o compadre aqui, garoto! Cumprimenta a comadre.
E
o garoto apertava a mão do meu pai, da minha mãe, a minha mão e a mão
dos meus irmãos. Aí chegava outro menino. Repetia-se toda a diplomacia.
– Mas vamos nos assentar, gente. Que surpresa agradável!
A
conversa rolava solta na sala. Meu pai conversando com o compadre e
minha mãe de papo com a comadre. Eu e meus irmãos ficávamos assentados
todos num mesmo sofá, entreolhando-nos e olhando a casa do tal compadre.
Retratos na parede, duas imagens de santos numa cantoneira, flores na
mesinha de centro... Casa singela e acolhedora. A nossa também era
assim.
Também
eram assim as visitas, singelas e acolhedoras. Tão acolhedoras que era
também costume servir um bom café aos visitantes. Como um anjo
benfazejo, surgia alguém lá da cozinha – geralmente uma das filhas – e dizia:
– Gente, vem aqui pra dentro que o café está na mesa.
Tratava-se
de uma metonímia gastronômica. O café era apenas uma parte: pães, bolo,
broas, queijo fresco, manteiga, biscoitos, leite... Tudo sobre a mesa. Juntava todo mundo e as piadas pipocavam. As gargalhadas também.
Pra
quê televisão? Pra quê rua? Pra quê droga? A vida estava ali, no riso,
no café, na conversa, no abraço, na esperança... Era a vida respingando
eternidade nos momentos que acabam....
Era a vida transbordando simplicidade, alegria e amizade...
Quando
saíamos, os donos da casa ficavam à porta até que virássemos a esquina.
Ainda nos acenávamos. E voltávamos para casa, caminhada muitas vezes
longa, sem carro, mas com o coração aquecido pela ternura e pela
acolhida. Era assim também lá em casa. Recebíamos as visitas com o
coração em festa... A mesma alegria se repetia. Quando iam embora,
também ficávamos, a família toda, à porta. Olhávamos, olhávamos... Até
que sumissem no horizonte da noite.
O
tempo passou e me formei em solidão. Tive bons professores: televisão,
vídeo, DVD, e-mail... Cada um na sua e ninguém na de ninguém. Não se
recebe mais em casa. Agora a gente combina encontros com os amigos fora
de casa:
– Vamos marcar uma saída!... – ninguém quer entrar mais.
Assim,
as casas vão se transformando em túmulos sem epitáfios, que escondem
mortos anônimos e possibilidades enterradas. Cemitério urbano, onde
perambulam zumbis e fantasmas mais assustados que assustadores.
Casas
trancadas.. Pra quê abrir? O ladrão pode entrar e roubar a lembrança do
café, dos pães, do bolo, das broas, do queijo fresco, da manteiga, dos
biscoitos, do leite...
Que saudade do compadre e da comadre!
Era assim mesmo a nossa vida...quanta saudade...
Era assim mesmo a nossa vida...quanta saudade...
quarta-feira, 11 de julho de 2012
UMA CRÔNICA DO JORNAL "O TEMPO"

Laura Medioli
Publicado no Jornal OTEMPO em 08/05/2012
A
A
Sob véus do passado
Mais uma vez, olha a fotografia em sépia em que uma moça bonita de olhar profundo lhe sorri.
Moça que, aos 17 anos, saiu da fazenda para a cidade. Iria se casar. O noivo, nove anos mais velho, filho do amigo do pai. Gente de posses, família renomada, de boa índole, como gostava de dizer a mãe chorosa e antecipadamente saudosa da única filha, que iria partir.Menina-moça, mais menina que moça, acometida de inquietações, curiosa sobre o jovem a quem, tão logo conheceu, já fora prometida.
- Mãe! Como irei me casar com um homem que vi apenas uma vez?
Deixar a casa, a família... Viver com pessoas que nem sequer conhecia?
Inutilmente, tentava fugir do destino que haviam lhe reservado.
Na mala, os poucos pertences. A camisola de cambraia branca, com rendas e botõezinhos em forma de flor.
- Esta é para a noite! - explicava a mãe, cheia de recalques na hora de dizer certas coisas. Ruborizada, sentou-se no quarto da filha, explicando a ela o que nunca soube quando se casou; assustada, saiu correndo do quarto e do pobre marido, 15 anos mais velho.
Também na mala, o diário escrito desde que se aprimorou no jogo das palavras. Sua vida tranquila, ajudando nos afazeres, a escola para moças na cidade mais próxima, as colheitas, o curral... As aulas de religião, bordado, francês e latim. Mesmo morando no "fim do mundo", desses caprichos o pai não abria mão.
Tantos anos se passaram, e o diário, castigado pelo tempo, assim como a fotografia, foi o que restou. O sorriso enigmático, perdido em dúvidas e ansiedades. O vestido de noiva feito em linho, os seios despontando tímidos sob os véus que lhe adornavam os ombros.
A jovem não entende por que a história de sua trisavó, escrita em letras miúdas, lhe atrai tanto. Guarda o diário como o bem mais precioso. Não somente os cabelos castanhos, mas também o delicado nariz e os olhos profundos se assemelhavam aos seus. Mas foi nas letras miúdas que descobriu as maiores semelhanças, a melhor herança...
No dia de se casar, sozinha em seu quarto, passeou os dedos sobre o vidro opaco que, há uma eternidade, protegia aquele rosto bonito.
Outros tempos, outro contexto. Nenhuma expectativa ou medo da "primeira noite", pois, intimamente, ela e o noivo há muito já se conheciam. Sua camisola, confeccionada em seda, nada de rendas e botões floridos. Não se mudaria para a casa da sogra, mas para a sua própria.
Não falava francês, não entendia latim, odiava mato e cheiro de esterco e, mesmo assim, no âmago da alma, sentia, claramente, que aquela moça, vinda de longe e da mesma origem, havia renascido nela. Sabia que era maluquice, por isso, nunca compartilhou sua certeza com ninguém. Olhou-se no espelho, ajeitando a grinalda de tule. Deu um sorrisinho bobo, sabendo que sua escolha era a mais certa. E que seu destino seria tão denso e promissor como o da mulher que a despertou para a vida. E, assim, feito ela, seria feliz, muito feliz!
LAURA MEDIOLI escreve no Magazine às terças-feiras. laura@otempo.com.br
Um texto que eu gostaria de ter escrito.Muito lindo!!!
Espero que gostem,amigos.
Um texto que eu gostaria de ter escrito.Muito lindo!!!
Espero que gostem,amigos.
terça-feira, 10 de julho de 2012
Um Chá para a Tina
sexta-feira, 6 de julho de 2012
UM DIA NO GREEN VALLEY
e fomos passar o dia em um aprazível local denominado Green Valley, onde a exuberância da natureza nos presenteia com uma profusão de verdes,em todas as suas nuances e o som dos pássaros,o vôo das borboletas e os gritos das maritacas,os patos preguiçosamente nadando no lago,nos proporcionam um encontro com o nosso interior e com o Criador de todas estas belezas.
Green Valley 

Ao chegarmos,a bela paisagem nos saúda.
O bar do restaurante
A mesa de antepastos
O restaurante fica na Estrada Teresópolis/Friburgo e se chama Casa do Fondue.
Almoçamos um delicioso Salmão à la Belle Mauniére,delicioso,acompanhado de um Lambrusco Del "Emília ...DIVINO!!!
terça-feira, 3 de julho de 2012
O PODER DO AMOR
( Anne Lieri)
A menina que imaginava que uma espiga de milho era uma boneca e
os caminhos que percorre em sua vida é o tema central do romance “A Viagem” de nossa amiga Evanir S.Garcia, pela editora ALL PRINT.
A protagonista é uma jovem sonhadora: Angelita que tem o desejo de liberdade em seu
sangue e vive num mundo próprio, de fantasias e belas imagens.
Acredita que “os sonhos estão por toda parte, basta apenas ficar atenta aos seus sinais.”.
Mesmo cercada de medos, aceita o convite de sua criança interior
atravessando com coragem um portal para o passado, numa viagem carregada de lembranças nem sempre doces.
Assim, iniciamos com Angelita um passeio pelo seu passado, conhecendo sua infância,
juventude e a vida adulta.
De leitura fácil e expressiva, acompanhamos sem querer parar de ler, cada passo, cada escolha na vida dessa jovem e suas consequências.
Não há como não chorar no final, onde sentimos o poder do amor em sua vida e vemos as transformações de uma vida inteira de muito sofrimento.
Recomendo este romance que vocês podem adquirir pedindo por email para a autora por apenas R$ 35,OO mais frete.
Quem puder, divulgue em seu blog que nossa amiga ficará muito contente.
Parabéns a querida Evanir por essa história emocionante e que
muito nos tem a ensinar!
Reproduzido do blog MENINA VOADORA da ANNE LIERE .
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