Minha muito querida Manu,
A pintura é poesia silenciosa,
a poesia é pintura que fala.
Simônedes de Ceos
(poeta grego, c.556-468 AC)
Laços de afetos nos unem, Manu,os laços misteriosos do carinho que nos ensinam os caminhos estrelados que conduzem à sincronicidade e à harmonia,e à esperança que reacende no fundo azul do peito o dom da infância.Vieste do outro lado do oceano e me cativaste, tuas mãos teceram poemas e carinhos, fizeste uma menina dos caracóis à infância retornar,com seus sonhos a reviver... nas cores de tuas rosas trouxeste o afeto que tem um brilho próprio no grande painel dos sentires humanos...nas palavras doces de teus poemas trouxeste os laços tênues, às vezes fortes como um abraço, mas que não prendem, são leves, para manter um objeto de afeição.
Hoje é teu aniversário,Manu. O que posso te desejar? O que posso te oferecer? De minha janela descortino a mata e gostaria de te oferecer este verde salpicado pelo brilho do sol...debaixo de minha janela um sabiá laranjeira entoa o seu canto e como eu queria ter o poder de ofertar-te este canto...é primavera e eu gostaria de te entregar todas as rosas, miosótis, gerânios,lírios e papoulas que florescem em todos os jardins...e mais os aromas de giestas,amapolas e jasmins...
Um menestrel eu enviaria para cantar debaixo de tua janela doces e suaves melodias, uma harpa tocaria uma sonata quando passasses e um bandolim executaria uma sonora e pungente canção ao deitares a cabeça em teus luares.
A noite se adianta e em breve os raios de sol estarão a te despertar...que seja um despertar feliz de sonhos alvissareiros. E, fazendo minhas as tuas palavras:
O sol me convidou
a sentar
na sua casa
bronzeando-me de pétalas.
senti-me uma flor com asas
Depois vestiu-me
de nuvens
fui princesa por um dia
manto bordado
de estrelas
num reino de fantasia!
Que assim seja!
Com um carinho meu.
...........................................................................................................................................................
Manuela Barroso é poeta, autora do livro Inquietudes e possui três blogs:
Anjo Azul
http://anjoazul.blogspot.com
Reflexões floridas
e Sabores de Anjo Azul
quinta-feira, 25 de outubro de 2012
terça-feira, 23 de outubro de 2012
Segundo pesquisa na web, o Prêmio Dardos foi criado pelo espanhol Alberto Zambade, escritor, que em 2008, no próprio Blog, concedeu o Selo de Prêmio Dardos a 15 Blogs selecionados por ele.
Estes Blogs, segundo Alberto Zambade fazem a diferença e tem por
finalidade transmitir valores culturais, éticos, literários,
interpessoal e, de certa forma, contribuem com criatividade, pensamento e
palavra, ou seja, é a marca pessoal, impressão do autor do Blog.
Dessa forma, é concedido por indicação de um outro Blog o Selo Dardos.
O Blog indicado, também, concede este Selo para outros Blogs que fazem a diferença.
TUDO A VER foi indicado pelo Blog Sapatinhos de Doroty da querida Sandra Puff
http://sapatinhosdedorothy.blogspot.com
Agradeço à querida Sandra e muito honrada me sinto.
Como não posso escolher, por receio de privilegiar alguns, em detrimento de outros, quero oferecê-lo a todos os meus amigos que por aqui passarem e garanto que me sentirei muito bem se um grande número de amigos o aceitarem.Bjsssssssssegunda-feira, 22 de outubro de 2012
RECEBI POR E-MAIL--- De minha querida MANUELA
| Mia Couto - Geração à Rasca - A Nossa Culpa
"Um dia, isto tinha de acontecer.
Existe uma geração à rasca? Existe mais do que uma! Certamente! Está à rasca a geração dos pais que educaram os seus meninos numa abastança caprichosa, protegendo-os de dificuldades e escondendo-lhes as agruras da vida. Está à rasca a geração dos filhos que nunca foram ensinados a lidar com frustrações. A ironia de tudo isto é que os jovens que agora se dizem (e também estão) à rasca são os que mais tiveram tudo. Nunca nenhuma geração foi, como esta, tão privilegiada na sua infância e na sua adolescência. E nunca a sociedade exigiu tão pouco aos seus jovens como lhes tem sido exigido nos últimos anos. Deslumbradas com a melhoria significativa das condições de vida, a minha geração e as seguintes (actualmente entre os 30 e os 50 anos) vingaram-se das dificuldades em que foram criadas, no antes ou no pós 1974, e quiseram dar aos seus filhos o melhor. Ansiosos por sublimar as suas próprias frustrações, os pais investiram nos seus descendentes: proporcionaram-lhes os estudos que fazem deles a geração mais qualificada de sempre (já lá vamos...), mas também lhes deram uma vida desafogada, mimos e mordomias, entradas nos locais de diversão, cartas de condução e 1º automóvel, depósitos de combustível cheios, dinheiro no bolso para que nada lhes faltasse. Mesmo quando as expectativas de primeiro emprego saíram goradas, a família continuou presente, a garantir aos filhos cama, mesa e roupa lavada. Durante anos, acreditaram estes pais e estas mães estar a fazer o melhor; o dinheiro ia chegando para comprar (quase) tudo, quantas vezes em substituição de princípios e de uma educação para a qual não havia tempo, já que ele era todo para o trabalho, garante do ordenado com que se compra (quase) tudo. E éramos (quase) todos felizes. Depois, veio a crise, o aumento do custo de vida, o desemprego, ... A vaquinha emagreceu, feneceu, secou. Foi então que os pais ficaram à rasca. Os pais à rasca não vão a um concerto, mas os seus rebentos enchem Pavilhões Atlânticos e festivais de música e bares e discotecas onde não se entra à borla nem se consome fiado. Os pais à rasca deixaram de ir ao restaurante, para poderem continuar a pagar restaurante aos filhos, num país onde uma festa de aniversário de adolescente que se preza é no restaurante e vedada a pais. São pais que contam os cêntimos para pagar à rasca as contas da água e da luz e do resto, e que abdicam dos seus pequenos prazeres para que os filhos não prescindam da internet de banda larga a alta velocidade, nem dos qualquercoisaphones ou pads, sempre de última geração. São estes pais mesmo à rasca, que já não aguentam, que começam a ter de dizer "não". É um "não" que nunca ensinaram os filhos a ouvir, e que por isso eles não suportam, nem compreendem, porque eles têm direitos, porque eles têm necessidades, porque eles têm expectativas, porque lhes disseram que eles são muito bons e eles querem, e querem, querem o que já ninguém lhes pode dar! A sociedade colhe assim hoje os frutos do que semeou durante pelo menos duas décadas. Eis agora uma geração de pais impotentes e frustrados. Eis agora uma geração jovem altamente qualificada, que andou muito por escolas e universidades mas que estudou pouco e que aprendeu e sabe na proporção do que estudou. Uma geração que colecciona diplomas com que o país lhes alimenta o ego insuflado, mas que são uma ilusão, pois correspondem a pouco conhecimento teórico e a duvidosa capacidade operacional. Eis uma geração que vai a toda a parte, mas que não sabe estar em sítio nenhum. Uma geração que tem acesso a informação sem que isso signifique que é informada; uma geração dotada de trôpegas competências de leitura e interpretação da realidade em que se insere. Eis uma geração habituada a comunicar por abreviaturas e frustrada por não poder abreviar do mesmo modo o caminho para o sucesso. Uma geração que deseja saltar as etapas da ascensão social à mesma velocidade que queimou etapas de crescimento. Uma geração que distingue mal a diferença entre emprego e trabalho, ambicionando mais aquele do que este, num tempo em que nem um nem outro abundam. Eis uma geração que, de repente, se apercebeu que não manda no mundo como mandou nos pais e que agora quer ditar regras à sociedade como as foi ditando à escola, alarvemente e sem maneiras. Eis uma geração tão habituada ao muito e ao supérfluo que o pouco não lhe chega e o acessório se lhe tornou indispensável. Eis uma geração consumista, insaciável e completamente desorientada. Eis uma geração preparadinha para ser arrastada, para servir de montada a quem é exímio na arte de cavalgar demagogicamente sobre o desespero alheio. Há talento e cultura e capacidade e competência e solidariedade e inteligência nesta geração? Claro que há. Conheço uns bons e valentes punhados de exemplos! Os jovens que detêm estas capacidades-características não encaixam no retrato colectivo, pouco se identificam com os seus contemporâneos, e nem são esses que se queixam assim (embora estejam à rasca, como todos nós). Chego a ter a impressão de que, se alguns jovens mais inflamados pudessem, atirariam ao tapete os seus contemporâneos que trabalham bem, os que são empreendedores, os que conseguem bons resultados académicos, porque, que inveja!, que chatice!, são betinhos, cromos que só estorvam os outros (como se viu no último Prós e Contras) e, oh, injustiça!, já estão a ser capazes de abarbatar bons ordenados e a subir na vida. E nós, os mais velhos, estaremos em vias de ser caçados à entrada dos nossos locais de trabalho, para deixarmos livres os invejados lugares a que alguns acham ter direito e que pelos vistos - e a acreditar no que ultimamente ouvimos de algumas almas - ocupamos injusta, imerecida e indevidamente?!!! Novos e velhos, todos estamos à rasca. Apesar do tom desta minha prosa, o que eu tenho mesmo é pena destes jovens. Tudo o que atrás escrevi serve apenas para demonstrar a minha firme convicção de que a culpa não é deles. A culpa de tudo isto é nossa, que não soubemos formar nem educar, nem fazer melhor, mas é uma culpa que morre solteira, porque é de todos, e a sociedade não consegue, não quer, não pode assumi-la. Curiosamente, não é desta culpa maior que os jovens agora nos acusam. Haverá mais triste prova do nosso falhanço? " -- *uma visão bem ao estilo de Mia Couto* -- Para quem não sabe Mia Couto é um biólogo e escritor moçambicano * Wikipédia |
quinta-feira, 18 de outubro de 2012
Um pouco do Pão e Poesia
O tempo pode te rabiscar o rosto
Pode te pratear os cabelos
Mas não deixe que o tempo te apague o viço
Nem te adormeça o riso
Conserva teu jeito de olhar macio
Tua capacidade de sonhar
Pode te pratear os cabelos
Mas não deixe que o tempo te apague o viço
Nem te adormeça o riso
Conserva teu jeito de olhar macio
Tua capacidade de sonhar
Guarda em ti tuas vontades mais absurdas
Teus desejos infantis
Tuas manias sem sentido
Conserva tua poesia, teu amor proibido
Reserva também tua indignação, tua rebeldia
Guarda tua teimosia
Não te acomodes com as voltas do tempo
Renova-te a cada manhã, a cada pão
Por dentro, não deixe o tempo te roubar a vida.
Ana Luiza Fireman
Teus desejos infantis
Tuas manias sem sentido
Conserva tua poesia, teu amor proibido
Reserva também tua indignação, tua rebeldia
Guarda tua teimosia
Não te acomodes com as voltas do tempo
Renova-te a cada manhã, a cada pão
Por dentro, não deixe o tempo te roubar a vida.
Ana Luiza Fireman
terça-feira, 16 de outubro de 2012
a festa à qual fomos,para a comemoração dos 40 anos do SESI em Barbacena.

Decoração magnífica de uma antiga cerâmica, cujos fornos e chaminés foram tombados pelo Patrimônio Cultural da cidade.
Parabéns, Barbacena e parabéns à família Bonato, pela excelência do Espaço e pela generosidade ao proporcionar um local de entretenimento de tão alto nível à sociedade barbacenense.
Foi uma noite inesquecível.
sábado, 13 de outubro de 2012
Da Página: Pão e Poesia
Esta é uma página muito linda do Facebook. Adorei e por este motivo resolvi partilhar com vocês este belo e sugestivo poema.
Ainda estou na casa de meu filho e à noite iremos a um baile em uma belíssima casa de festas da cidade.
ACERTO COM O TEMPO
Andei de cara amarrada com o tempo
Também... ele cismou de fazer rabisco torto no meu rosto
Inventou de apagar minha certidão de nascimento
Andei de cara amarrada com o tempo
Também... ele cismou de fazer rabisco torto no meu rosto
Inventou de apagar minha certidão de nascimento
Resolveu desbotar minhas fotografias
Pior: o tempo decidiu me comer
Primeiro, aos poucos, pela beirada, sem que eu sentisse
Depois aos bocados, com dentadas rasgadas, abocanhadas homéricas
Quase um banquete!
Mas que tolice a minha comprar briga com o tempo!
Foi quando me veio a ideia de fazer as pazes:
Ok, tempo, hei de matar a sua fome
Pode me consumir, mas, por favor, não me devore de uma vez
Vale saborear com gosto, comer de garfo e faca, educadamente
Sem pressa
Vale um tempero regado a alecrim e outras especiarias
Põe açúcar mascavo no meu coração
Pior: o tempo decidiu me comer
Primeiro, aos poucos, pela beirada, sem que eu sentisse
Depois aos bocados, com dentadas rasgadas, abocanhadas homéricas
Quase um banquete!
Mas que tolice a minha comprar briga com o tempo!
Foi quando me veio a ideia de fazer as pazes:
Ok, tempo, hei de matar a sua fome
Pode me consumir, mas, por favor, não me devore de uma vez
Vale saborear com gosto, comer de garfo e faca, educadamente
Sem pressa
Vale um tempero regado a alecrim e outras especiarias
Põe açúcar mascavo no meu coração
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Belíssimo local, com vários ambientes e um serviço diferenciado.
